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1982 - Rosberg vence sem brilho e com apenas uma vitória

Já na pré-temporada, o campeonato de 82 se configurava diferente. Os pilotos, que ensaiavam há algum tempo uma greve, deram início à paralisação por conta de um formulário que eles precisavam preencher para conseguir a superlicença. O calendário, por sua vez, teve 16 etapas – três delas nos Estados Unidos. Já nas equipes o movimento foi intenso. Somente a Ferrari, a Renault e a Lotus não mudaram suas estrelas.

A Brabham contratou Riccardo Patrese para se juntar a Piquet e desenvolveu o novo motor turbo BMW. A Williams perdeu o campeão Alan Jones e o substituiu com Keke Rosberg, que no ano anterior pilotava para a Fittipaldi. A escuderia brasileira só teve condições de correr com o carro para Chico Serra. A McLaren trouxe de volta da aposentadoria o bicampeão Niki Lauda, ausente por dois anos da categoria. Mario Andretti saiu da Alfa Romeo para voltar a correr no automobilismo americano. Desta forma, sua antiga equipe contratou Andrea de Cesaris. A Ligier assinou com Eddie Cheever e, por causa disso, a Tyrrell o substituiu por Slim Borgudd.

A Ensign assinou com o colombiano Roberto Guerrero, a Theodore com Derek Daly e a Osella com Riccardo Paletti. A ATS teve nova dupla de pilotos para aquele ano, Manfred Winkelhock e o chileno Eliseo Salazar, além disso, a Toleman desenvolveu mais seu caro e contratou Teo Fabi para ser parceiro de Derek Warwick. Já a March contratou o brasileiro Raul Boesel e, no meio do campeonato, Roberto Pupo Moreno teve a chance de estrear na categoria ao substituir Nigel Mansell na Lotus enquanto este estava machucado.

Muitas delas já guiavam com seus motores turbo, mas o que se viu na pista foi um campeonato vencido sem brilho. Para ser campeão naquele ano, Keke Rosberg precisou apenas de três quintos lugares, três segundos, duas terceiras colocações, m quarto lugar e uma única vitória em 10 provas das 16 (nas outras seis ele sequer pontuou). Vejamos como foi a temporada.

No Brasil, Piquet e Rosberg foram desclassificados após chegarem em 1º e 2º, respectivamente, por conta dos tanques de água que apresentaram em seus carros, deixando-os com o peso abaixo do permitido pelo regulamento. No intervalo entre a prova brasileira e a seguinte em Long Beach, Carlos Reutemann, que estava em terceiro no campeonato (cinco posições a frente de Rosberg) decidiu se retirar da Fórmula 1.

Por conta da punição a Piquet e Rosberg, as equipes que integravam a Associação de Construtores (FOCA) decidiram boicotar o GP de San Marino, onde somente sete das 14 escuderias alinharam no grid: Ferrari, Renault, Alfa Romeo, Tyrrell, ATS, Toleman e Osella. Nesta corrida, Villeneuve ficou furioso por ter sido ultrapassado por seu companheiro de equipe, Didier Pironi, na última volta, o que lhe rendeu a perda da vitória e a jura de nunca mais voltar a falar com Pironi.

A promessa foi cumprida da pior forma possível. Em Zolder, já nos minutos finais do treino de sábado, Gilles tentava bater o tempo de Pironi (que era apenas o sexto), quando se chocou contra a traseira da March de Jochen Mass. A Ferrari voou e espatifou-se depois de uma série de capotagens. Villeneuve não teve a menor chance e faleceu. Em sua homenagem, a Ferrari não participou da prova do dia seguinte, quando a Fittipaldi conquistou o último ponto de sua história com o sexto lugar de Serra. A escuderia italiana também não substituiu Villeneuve na corrida seguinte, em Mônaco, correndo apenas com um piloto.

No Canadá, um novo acidente fatal ainda na largada. Pironi não conseguiu partir  com sua Ferrari. Muitos que vinham atrás evitaram o choque, mas não Riccardo Paletti, que ainda colidiu contra a Theodore de Geoff Lees. O italiano ficou preso. Pironi tentou ajudar o Dr. Sid Watkins a retirar Paletti do carro, que começava a pegar fogo. As chamas foram extintas, porém Paletti morreu duas horas depois.

Na Alemanha, 12ª etapa do mundial, Pironi liderava o campeonato com nove pontos de vantagem. Rosberg era apenas o quinto, 16 pontos atrás. Nos treinos de sábado chovia quando o piloto da Ferrari estava numa volta rápida e sofre um grave acidente. Felizmente, ele sobreviveu, mas uma série de cirurgias em suas pernas impossibilitaram sua volta à Fórmula 1. Três meses após a morte de Villeneuve, a Ferrari perdia seu outro piloto titular. Para os brasileiros, a prova é lembrada como dia em que Nelson Piquet partiu para a briga com Eliseo Salazar depois que os dois bateram na 19ª volta.

Foi somente na Suíça, antepenúltima corrida do ano, que Rosberg passou a liderar o campeonato – graças a sua única vitória na temporada. O título foi para as mãos do sueco na última prova. Com 44 pontos, cinco a mais que Pironi e John Watson, e dez a mais que Prost, consagrou-se campeão. Já no mundial de construtores, a Ferrari voltou a ser campeã em um dos anos mais terríveis da sua história.

 

Keke Rosberg

 

Classificação Final

 

 

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