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1994 - Termina a Era Senna, começa a era de Schumacher

O anúncio da contratação de Senna por parte da Williams causou frisson no mundo da Fórmula 1. Ninguém tinha dúvida: o melhor piloto em atividade venceria todas as corridas guiando o melhor carro das últimas três temporadas. Senna soube exatamente o contrário quando os testes começaram e a Williams não tinha mais o diferencial dos outros anos, ou seja, a parafernália eletrônica de alta qualidade.

As únicas coisas eu não mudaram foram sua sede por vitórias e sua eterna vontade de largar sempre em primeiro lugar. Foi assim que ele conseguiu as poles no Brasil, no GP do Pacífico, realizado em Ainda, no Japão; e em San Marino. No entanto, o carro não colaborava muito. Pressionado, Senna errou e abandonou em Interlagos. Em Aida, um acidente ainda na largada o tirou da prova. Em Ímola, aconteceu o pior.

Há muito tempo que a categoria mais famosa do automobilismo internacional não vivia um final de semana tão dramática e inesquecivelmente trágico. Primeiro foi Barrichello na sexta. Por sorte, o brasileiro saiu sem maiores danos do acidente nos treinos, quando seu carro levantou vôo e se chocou contra a proteção de pneus – por pouco não indo parar na arquibancada vazia. Depois foi Roland Ratzenberger. Na sessão de sábado, o austríaco da Simtek chocou-se violentamente contra o muro do circuito. A imagem dele recebendo massagem cardíaca já mostrava o quão grave era a situação.

No domingo, a tensão atingiu níveis inimagináveis com a tragédia de Senna. O brasileiro liderava a prova quando a barra da direção de sua Williams quebrou e ele acabou indo de encontro ao muro da (até hoje e por todo o sempre amaldiçoada) curva Tamburello – a mesma onde, em 87, Piquet tinha batido e que, em 89, Berger se chocara e o carro pegara fogo. Senna recebeu os primeiros socorros ainda ao lado da pista, mas faleceu, oficialmente, horas depois no Hospital Maggiore, em Bologna. Chegava ao fim ali a vida de um dos maiores pilotos que a Fórmula 1 teve o prazer de ver correr e um dos maiores esportistas brasileiros – ídolo maior de todas nós F1 Girls.

Sem nenhum campeão do mundo presente, a temporada seguiu. Schumacher venceu metade dos Grandes Prêmios, foi punido pela FIA em virtude do uso comprovado de artifícios proibidos no regulamento, ficou de fora de duas provas, porém ganhou o título depois de jogar o carro contra Damon Hill no GP da Austrália - que, com o carro danificado, não pôde continuar na prova.

O alemão acumulou 92 pontos e a antipatia de muita gente. Hill foi o segundo, com 91, e Berger, o terceiro, com 41. A Williams, cujos dirigentes ainda respondiam processo pela morte de Senna, foi a campeã do mundial de construtores com 118 pontos, 15 a mais que a Benetton. Quem viveu ou não naquela época vai olhar a tabela do campeonato de 1994 e não verá dois nomes lá: o do austríaco Roland Ratzenberger e o do brasileiro Ayrton Senna. A diferença é que quem sabe o motivo desta ausência jamais vai esquecê-lo.

 

Michael Schumacher

 

Classificação Final

 

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