No início de 2007, Fernando Alonso esbanjava aquele sorriso típico de quem detém dois títulos de campeão do mundo da Fórmula 1, namora uma estrela pop (a vocalista do grupo pop espanhol El Sueño de Morfeo, Raquel del Rosário) e era o piloto número um de uma das principais escuderias do mundo. Resumindo: tinha bons motivos para estar feliz e crer que reinaria soberano nas pistas. No entanto, este espanhol de 1,71m de altura e 68kg terminou a temporada passada sendo taxado de “menino mimado”, depois de enfrentar uma série de problemas enfrentados dentro da McLaren; entre eles a inesperada concorrência com o novato e seu até então companheiro de equipe Lewis Hamilton. Mais um capítulo da carreira do piloto que despertou a paixão de um país pela Fórmula 1.
Fernando Alonso Díaz, o Príncipe das Astúrias, nasceu em Oviedo, na Espanha, no dia 29 de julho de 1981. Filho de Ana Díaz e José Luiz Alonso, especialista em explosivos e apaixonado por corridas de kart, o espanhol tinha três anos quando o pai percebeu que a filha Lorena, de oito anos, não possuía a mesma paixão que ele pela velocidade e adaptou o kart que havia feito para ela ao tamanho do pequeno Fernando. Começava aí a história de Alonso nas pistas.
A licença oficial da federação espanhola saiu um ano mais tarde. Em 1988, ganhou o Campeonato Infantil das Astúrias, vencendo todas as oito corridas. As constantes viagens transformaram-se em um problema para a família por conta do custo elevado. No início dos anos 90, sua permanência nas competições só foi possível graças à conquista de patrocinadores, viabilizada por Genís Marco, um empresário importador de karts.
Em 1991, foi campeão das Astúrias e do País Basco na categoria cadete. Nos dois anos seguintes, venceu o campeonato espanhol júnior. Em 1995, acabou em terceiro lugar no mundial vencido por Kimi Räikkönen. Um ano depois, venceu o campeonato mundial júnior e, em 1997, abocanhou o título espanhol e italiano na categoria internacional A.
Em outubro de 1998, teve sua primeira oportunidade de pilotar um carro de corridas, chance intermediada pelo ex-piloto da Minardi Adrián Campos. No ano seguinte, substituiu Marc Gené na Fórmula Nissan e disputou o Campeonato Euro Open Movistar. Alonso conquistou nove pole positions, oito voltas mais rápidas, seis vitórias e o título.
No ano 2000, ingressou na Fórmula 3000. Com problemas na equipe Astromega, só pontuou na sétima corrida. Nas duas últimas provas, foi segundo e venceu. Os resultados deram-lhe a quarta colocação no campeonato, atrás de Bruno Junqueira, Nicolas Minassian e Mark Webber. No dia 13 de dezembro, no circuito de Jerez de la Frontera, na Espanha, Alonso pilotou um F1 pela primeira vez e foi contratado pela Minardi para a temporada seguinte da Fórmula 1.
A carreira na Fórmula 1 - Quando estreou na categoria, em 2001, o espanhol era o terceiro mais jovem piloto a ingressar na F1. Com as condições notoriamente difíceis do seu carro, manteve o foco na comparação entre seu tempo e o de seus companheiros de equipe naquele ano, Tarso Marques e Alex Yoong. Em setembro, foi contratado por Flávio Briatore para ser piloto de testes da Renault no ano seguinte. Foram 1.642 voltas nos testes de 2002.
Em 2003, assumiu a vaga na equipe em substituição a Jenson Button. Já na Malásia, conquistou sua primeira pole position. Alonso costuma dizer que este foi o grande momento da temporada em sua opinião, porque foi quando disse a si mesmo: “Aqui estou. No clube dos grandes”. No GP do Brasil, bateu forte. Duas provas depois, na Espanha, chegou em 2º lugar. A alonsomania tomou força de vez quando, no GP da Hungria, tornou-se o mais jovem piloto a vencer uma corrida na história da Fórmula 1. Na classificação geral, terminou em 6º, com 55 pontos e quatro pódios.
No ano seguinte, chegou a ser batido pelo companheiro de equipe, Jarno Trulli, o que levantou questionamentos sobre seu desempenho. Passou a temporada inteira sem conquistar uma nova vitória, mas repetiu os quatro pódios do ano anterior, marcou 59 pontos e foi o 4º no mundial de pilotos.
Em 2005, quebrou a seqüência de títulos do heptacampeão Michael Schumacher. Consistente, competente e mostrando muita habilidade, Alonso venceu sete provas, terminou em 2º cinco vezes; em 3º, três vezes; em 4º, uma vez, não completou apenas uma corrida e deixou de participar do conturbado GP dos Estados Unidos. O duelo com Kimi Räikkönen transformou a temporada em uma das mais emocionantes dos últimos anos na Fórmula 1.
No Brasil, consagrou-se ao conquistar o primeiro título mundial de um piloto espanhol e bateu o recorde do brasileiro Emerson Fittipaldi, tornando-se o mais jovem campeão da história da categoria. Alonso tinha 24 anos e 59 dias de idade. Apesar disso, Räikkönen foi eleito o melhor do ano por algumas revistas especializadas.
Em 2006, sua derradeira temporada na Renault pode ser dividida em duas partes completamente distintas. Tendo como oponente Michael Schumacher, da Ferrari, Alonso dominou a primeira metade da competição e abriu uma larga vantagem. Sua seqüência de bons resultados acabou no GP dos Estados Unidos. Até ali o espanhol tinha 25 pontos à frente do seu rival. Então, uma série de problemas começou a acontecer. O pior momento ocorreu na Itália. Pela segunda vez no ano, Alonso foi punido por supostamente ter prejudicado o traçado de Felipe Massa. Revoltado, o espanhol declarou que a Fórmula 1 não era mais um esporte. Para piorar, ele precisou abandonar a prova e o alemão venceu a corrida. A diferença caiu, então, para dois pontos.
Tudo levava a crer que a Ferrari realizaria uma virada histórica no campeonato. Com uma vitória a menos, Alonso viu o título um pouco mais longe naquela altura da disputa. No Japão, quando ambos estavam empatados em pontos, o público prendeu a respiração ao ver um carro da Ferrari parando. E era Schumacher. A vitória caiu no colo do espanhol e o segundo título de sua carreira veio novamente em Interlagos, uma corrida depois. Alonso tornou-se, então, o mais jovem bicampeão da Fórmula 1.
Em 2007, Fernando transferiu-se para a McLaren. Contudo, o rosto alegre do dia da apresentação do MP4/22 (15 de janeiro) foi dando lugar a feições carrancudas ao longo da temporada passada. Ao final das três primeiras corridas do ano, o espanhol liderava a disputa pelo título empatado com mais três pilotos – entre eles Lewis Hamilton. O mesmo número de provas depois, Alonso deve ter começado a perceber que seu principal rival estava logo ali ao lado, no outro cockpit da McLaren. Apesar de ter uma vitória a mais que o inglês, o bicampeão havia caído para a segunda colocação na classificação geral – oito pontos atrás do líder Hamilton.
Muito mais surpreso com a liderança de Lewis Alonso ficou com a predileção que a McLaren deu ao conterrâneo inglês. Pela primeira vez em sua carreira, o espanhol passou a ter que dividir os holofotos e a atenção da equipe com outro piloto que tinha chances iguais de conquistar o título. Inconformado, passou a travar uma briga com Ron Dennis e Lewis Hamilton pela imprensa. Alonso acusava o inglês de se aproveitar de seus ajustes e o clima de guerrilha interno foi às claras quando, no GP da Hungria, o bicampeão do mundo acabou passando mais tempo que o necessário nos boxes nos treinos de classificação – obrigando Hamilton a ficar parado esperando que Alonso saísse para que ele fosse atendido. Naquela altura do campeonato, apenas dois pontos os separavam.
Além disso, em setembro, Alonso e seu compatriota Pedro de la Rosa (piloto de testes da McLaren) tiveram expostos seus e-mails nos quais trocavam informações sobre dados que seriam de uso restrito da Ferrari. Os arquivos foram a vedete da reunião do Conselho da FIA no caso de espionagem que marcou a temporada. No entanto, os espanhóis saíram ilesos graças à delação premiada prometida pelo presidente da entidade, Max Mosley. A McLaren, por sua vez, acabou sendo excluída do campeonato e perdendo todos os pontos. Era a gota d’água no já difícil relacionamento entre a escuderia e o bicampeão, uma vez que Alonso havia ameaçado Ron Dennis de divulgar as mensagens, o que levou o chefão da equipe a ele mesmo informar a FIA sobre tais provas.
No Japão, o espanhol acabou batendo e abandonando a prova, o que deixou mais difíceis suas chances pelo tri. Quando chegaram na China, Alonso estava 12 pontos atrás de Hamilton, com o podendo ser campeão naquela prova. Na pista, o novato cometeu um erro que lhe alijou da corrida e deixou Alonso com apenas quatro pontos de desvantagem. Foi, então, que Alonso e todo mundo ouviu a inacreditável frase de seu patrão dizendo que a McLaren lutava ali contra Alonso e não contra o outro oponente pelo título (Kimi Raikkonen).
Na última prova, Alonso chegou ao Brasil com chances novamente de ser campeão. Pela primeira vez, em três anos, não conseguiu. Mas sorriu no pódio como se deleitando com mais um erro de Hamilton que acarretou na perda do título para o novato. Com o mesmo número de pontos do inglês, o espanhol terminou em terceiro lugar na classificação geral devido os critérios de desempate. No dia 2 de novembro, Alonso e a McLaren anunciaram o rompimento do contrato do bicampeão. Um pouco mais de um mês depois, dia 10 de dezembro, foi divulgado o retorno do espanhol para a Renault, onde terá como companheiro de equipe um outro novato: o brasileiro Nelson Piquet Jr.
O bicampeão do mundo ainda não venceu os GPs dos Estados Unidos, da Bélgica, da Turquia e do Brasil. Alonso possui residência em sua terra natal, além de casas em Oxford, na Inglaterra, e em Lake Geneva, na Suíça.
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Crédito das imagens: Site oficial do Fernando Alonso
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