Rubens Barrichello

 

Rubens Gonçalves Barrichello é o brasileiro que há mais tempo compete na Fórmula 1. Em 2008, dá início à sua 16ª temporada e vai em busca do recorde de ser o piloto com mais participações em Grandes Prêmios na história da categoria, façanha que até agora pertence ao italiano Riccardo Patrese. Rubinho costuma dizer que sua carreira nas pistas começou aos seis anos, quando seu avô materno lhe presenteou com um kart, mas que seu convívio com o mundo da velocidade vem desde os tempos nos quais ainda estava na barriga da mãe – que aos oito meses e meio de gravidez foi assistir ao GP da Argentina ao lado do irmão.

Durante os oito anos em que competiu no kart, foi campeão nacional e paulista em cinco oportunidades (nas outras três vezes foi vice). Em 1986, consagrou-se campeão sul-americano em cima do pai do ex-piloto de F1 Juan Pablo Montoya. Em 1987, com o apoio de Senna, disputou o campeonato mundial e terminou em nono. Em 1989, ingressou na Fórmula Ford e acabou em 3º lugar no campeonato. Determinado a entrar na Fórmula 1, Barrichello saiu do Brasil em 1990 para disputar a Fórmula Opel com a equipe Draco.

Apesar das dificuldades na fase de adaptação e da pouca infra-estrutura disponível aos pilotos que na época partiam para a Europa em busca da realização de seus sonhos (Rubinho chegou a dividir o “quarto” na garagem da equipe com um cachorro e a competir com a carteira do pai, pois não tinha licença para dirigir ainda), Rubens foi campeão naquele ano com seis vitórias, sete poles, sete voltas mais rápidas e chamou a atenção da mídia especializada européia.

Em 1991, Barrichello passou para a Fórmula 3 inglesa. Competindo pela equipe West Surrey Racing, o brasileiro consagrou-se como o piloto mais jovem a tornar-se campeão da categoria, recorde que perdurou por 13 anos, quando outro piloto do Brasil o bateu: Nelson Piquet Jr, com a diferença apenas de que Rubinho conseguiu o feito na primeira temporada e Nelsinho, na segunda. Barrichello derrotou na disputa o escocês David Coulthard.

Os dois títulos consecutivos lhe renderam um convite da equipe Il Barone Rampante para disputar a Fórmula 3000. Apesar de não ter sido campeão naquele ano (ficou em terceiro), Rubinho atingiu seu objetivo: uma equipe de Fórmula 1 queria que ele fizesse um teste. Em janeiro de 1993, Barrichello assinou contrato com a Jordan.

Sua estréia na mais famosa categoria do automobilismo internacional ocorreu no dia 14 de março daquele ano. O carro quebrou em metade das corridas, mas ainda assim o brasileiro conseguiu obter seus dois primeiros pontos no Grande Prêmio do Japão.

E então veio o ano de 1994.
E com ele, Ímola.

No primeiro dia de treinos para o GP de San Marino, Rubinho escapou com vida, de forma até milagrosa, depois que seu carro levantou vôo, chocou-se contra a proteção de pneus em frente a uma arquibancada e capotou duas vezes. O piloto teve traumatismo craniano, fratura no braço direito e no nariz e contusões na coluna, no tórax, no rosto e na boca.

Rubinho chegou em Ímola em 2º lugar no campeonato e saiu de lá com o peso do mundo nos ombros, após a morte de Senna dois dias depois. “Nas 18 corridas anteriores, às vezes não sabia o que mais me dava prazer, se era o fato de estar pilotando um carro de Fórmula 1 ou de estar ali perto dele. Provavelmente não me recuperei desse trauma. Tive que me recuperar de outros muito rápidos, como o fato de ter que entrar no carro novamente e encarar os meus medos. Prometi a mim mesmo que se naquele teste, 15 dias após toda a tragédia, não fosse mais rápido do que já havia sido no passado, pararia de correr, porque isso significaria que o medo havia me tomado por inteiro. ”Os acidentes em San Marino catapultaram  Rubinho de piloto promissor à esperança de vitórias de um povo.

Sofrendo pressões de todos os lados para se tornar o novo rei das pistas vindo do Brasil, Barrichello conseguiu sua primeira pole position no GP da Bélgica e terminou o ano que mudou sua vida em 6º lugar, com 19 pontos. Rubinho foi sondado por várias equipes, mas permaneceu na Jordan até 1996. E com ele permaneceram os problemas.

Sem um carro competitivo, agüentou firme as cobranças. Em 1997, trocou de equipe e foi para a Stewart, mas sua sorte não mudou. Em 14 das 17 provas, quebrou. O único grande momento daquele ano foi uma surpreendente segunda posição no GP de Mônaco. 

Em 1999, as coisas melhoraram e Rubinho conseguiu três pódios, o 7º lugar no campeonato e um contrato com a poderosa equipe Ferrari, pela qual passaria a competir a partir do ano 2000. Barrichello dava adeus a carros incapazes de lhe dar a chance real de conquistar o título. Mas ele enfrentaria um outro problema, e ainda maior que o anterior. 

De espírito e esperança renovados, para o povo brasileiro e para o próprio Barrichello, havia chegado sua hora. No entanto, a situação foi bem diferente do que ele desejava e, em entrevista ao jornal “Folha de São Paulo” em março de 2006, o brasileiro define como foi o seu período na escuderia italiana: “Sempre achei que, com a minha dedicação, chegaria a um ponto em que ganharia a mesma atenção do Michael [Schumacher]. Mas não. A Ferrari é uma equipe que, apesar de tudo de bom, tem também o Michael. Eu precisava de algo mais. E não é carinho. Eu precisava é de atenção para as coisas que eu queria.”

Ainda em 2000, Rubinho ganhou sua primeira corrida na Fórmula 1. Após sete temporadas, ele alcançava o ponto mais alto do pódio. Naquele 31 de julho, o brasileiro largou em 18º em Hockenheim e tudo indicava que aquele seria mais um domingo de vitória fácil para seu companheiro de equipe. Mas a chuva veio e lavou a alma de Barrichello e do Brasil, que desde o dia 7 de novembro de 1993, em Adelaide, não via um piloto nacional vencer uma prova. 

O curioso é que nenhuma das nove vitórias de Rubinho na Ferrari pode ser creditada à ajuda da equipe. Muito pelo contrário. Houve momentos em que a escuderia italiana simplesmente não deixou que o brasileiro chegasse em 1º lugar, sendo o episódio mais conhecido o GP da Áustria de 2002. Cumprindo ordens, Barrichello deu passagem ao alemão Michael Schumacher quando já estava prestes a receber a bandeirada. O público viu e vaiou. A mídia condenou. Os outros pilotos abominaram a atitude, mas a vida de Barrichello continuou a mesma dentro da equipe. Ao longo das seis temporadas que disputou pela Ferrari, Rubinho conseguiu apenas dois vice-campeonatos, com 25 segundos lugares e 21 terceiros nas corridas. 

Em 2006, Barrichello estreou na nova equipe: a Honda. O ano não foi fácil. Na primeira metade do campeonato, viu-se obrigado a reconhecer a superioridade do companheiro de equipe (Jenson Button) em lidar com o carro. E, na última corrida, escutou os apupos da torcida no Brasil com a primeira vitória de um piloto nacional em Interlagos depois de 13 anos. E o piloto não era ele. Em 2007 foi ainda pior: a Honda produziu um dos piores carros da história da Fórmula 1 e Rubinho viveu o ano mais difícil de sua carreira na categoria. Passou a temporada inteira sem marcar um ponto sequer, caindo de quarto para quinto no ranking dos pilotos que mais marcaram na Fórmula 1 (foi ultrapassado por David Coulthard) e ainda viu seu companheiro de equipe, Jenson Button, “beliscar” seis pontos e a 15ª colocação no mundial.

Rumores dão conta de que este é o último ano na Fórmula 1 para este brasileiro que nasceu no dia 23 de maio de 1972, em São Paulo, tem 1,72m de altura e pesa 77 kg. É casado com Silvana Giaffone e pai de dois filhos (Eduardo e Fernando). Nas horas vagas, gosta de jogar videogame, correr de kart e praticar golfe.

 

 

 

 

Crédito das Fotos:Site oficial do Rubens Barrichello

 

 

 

 

 

 

 
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