O ano do Tri!

GP do Brasil – 12 de abril de 1987 – Circuito de Jacarepaguá – 61 voltas

Piquet começou a temporada largando na segunda posição, logo atrás de Nigel Mansell. Pegou a liderança ainda na largada, mas precisou parar nos boxes na volta 7 para retirar papéis do radiador.Voltou em 11º e fez uma corrida de recuperação. Chegou a liderar novamente a prova, porém seu segundo pit stop o impossibilitou de vencer a corrida. Terminou em segundo, o que lhe rendeu seis pontos – três a menos que Alain Prost, o vencedor no Brasil. Iniciava ali a luta pelo tricampeonato.

GP de San Marino – 03 de maio de 1987 – Circuito de Ímola – 59 voltas

No treino de classificação, Piquet sofreu um acidente na curva Tamburello. O Dr. Sid Watkins o proibiu de disputar a prova no domingo e o brasileiro viu sua posição de vice-líder do campeonato despencar para a quarta colocação na tabela. Para piorar, seus desafetos pontuaram. Mansell venceu a corrida e passou a liderar a classificação do Mundial de Pilotos e Senna tinha agora os mesmos seis pontos que ele.

GP da Bélgica – 17 de maio de 1987 – Circuito de Spa-Francorchamps–  43 voltas

De volta às pistas, Nelson Piquet queria recuperar o tempo perdido. Foi o segundo mais rápido nos treinos (Mansell novamente conquistou a pole). Um acidente forçou uma segunda largada na prova e quem se deu bem foi Piquet. Mansell e Senna bateram à sua frente. O brasileiro saiu e o inglês ficou para trás. Dessa forma, Piquet assumiu a liderança. No entanto, na 11ª volta o motor turbo de sua Williams teve problemas e Piquet precisou abandonar a prova. Apesar de não marcar pontos, não saiu da quarta colocação, mas agora estava a 12 pontos do líder, que voltava a ser Alain Prost depois de sua vitória na Bélgica – e a segunda no ano.

GP de Mônaco – 31 de maio de 1987 – Circuito de Monte Carlo–  78 voltas

Nas ruas do Principado, nas quais Piquet nunca escondeu seu desagrado em correr, o brasileiro alinhou na terceira posição do grid, atrás de Mansell (outra vez o pole) e de Ayrton Senna e à frente de Prost. As posições de largada só não se mantiveram a mesma porque Mansell teve problemas no motor do carro e abandonou a prova na 29ª volta. Prost também não conseguiu completar a corrida, depois que o motor de sua McLaren o deixou a pé. No pódio, dobradinha tupiniquim com Senna em primeiro e Piquet em segundo.  No campeonato, Piquet contava agora com 12 pontos – seis a menos que o ainda líder Prost, mas continuava na quarta colocação, um ponto atrás do terceiro (Stefan Johansson) e do vice (Senna).

GP dos Estados Unidos – 21 de junho de 1987 – Circuito de Detroit–  63 voltas

Piquet perdeu a batalha pelo primeiro lugar no grid novamente para Mansell e a segunda colocação voltou a ser de Senna, restando para ele a terceira posição. O inglês manteve a liderança na largada, mas na hora do pit stop perdeu 10 segundos com seus mecânicos tentando retirar objetos grudados no volante do piloto. Com isso, Senna tornou-se o líder da prova e subiu no lugar mais alto do pódio; Piquet foi o segundo e Prost, o terceiro (Mansell terminou em quinto). Os resultados fizeram com que Piquet pulasse para a terceira colocação na tabela, com 18 pontos. A briga continuava boa e apenas quatro pontos o separavam de Prost, que perdera a liderança da tabela para Senna, que tinha dois a mais que o francês.

GP da França – 05 de julho de 1987 – Circuito de Paul Ricard–  80 voltas

Mansell continuou sua rotina de conquistar pole positions e Piquet teve que se contentar novamente em ser o quarto no grid. O brasileiro, no entanto, fez uma boa largada e ganhou a posição de Senna, à sua frente. Depois conseguiu ultrapassar Alain Prost. Na volta 19, perdeu a vice-liderança para o francês, porém a recuperou depois dos pit stops e ainda tirou de Mansell o primeiro lugar. O leão inglês partiu para cima a fim de recuperar sua posição e não teve problemas para ultrapassar Prost. Contudo, apenas com um erro de Piquet foi possível tomar a liderança da corrida. O brasileiro ainda tentou lutar pela vitória, mas perdeu 10 segundos nos boxes e finalizou em segundo. Na tabela, não houve alterações na posição de cada piloto e Piquet permaneceu em terceiro.

GP da Inglaterra – 12 de julho de 1987 – Circuito de Silverstone–  65 voltas

Pela primeira vez no ano, Piquet largou na frente de todos os demais pilotos e deixou Mansell se conformar com a segunda posição no grid, menos de um décimo de segundo atrás. Prost fez uma melhor largada e os ultrapassou, mas da segunda curva em diante, Piquet e Mansell ditaram o ritmo da prova. O brasileiro liderou a maior parte das voltas, porém, com a torcida a favor, Mansell fez juz ao apelido e rumou em direção a Piquet disposto a ultrapassá-lo. Conseguiu seu intento a duas voltas do fim. O segundo lugar no pódio deu a Piquet a vice-liderança no Mundial de Pilotos. Tinha os mesmos 30 pontos de Mansell, mas nos critérios de desempate levava vantagem. Curiosamente, estava posicionado entre seus dois desafetos, porque à sua frente ainda estava Senna, com um ponto a mais. E o campeonato pegava fogo!

GP da Alemanha – 26 de julho de 1987 – Circuito de Hockenheim– 44 voltas
A Fórmula 1 chegava à metade da temporada com os líderes separados por um ponto e isso deixou o clima ainda mais quente entre os adversários. Na primeira batalha, a luta pela pole, Mansell se saiu melhor que os demais e Piquet foi o quarto novamente. No entanto, na hora da corrida, as coisas foram diferentes. O brasileiro manteve sua posição na largada, mas aos poucos galgou uma melhor colocação. Na volta 25, passou Senna e era o segundo. Tudo indicava que Prost seria o vencedor, mas a quatro voltas do final teve problemas e precisou abandonar a corrida. Piquet herdou a vitória e, junto com ela, a liderança do campeonato. A terceira posição de Senna e o abandono de Mansell ainda o ajudaram a abrir vantagem. Tinha 39 pontos contra 35 do rival brasileiro e 30 do desafeto inglês.


GP da Hungria – 09 de agosto de 1987 – Circuito de Hungaroring– 76 voltas

Em paralelo à disputa pelo título de campeão, foi anunciada a saída de Senna da Lotus ao final daquele ano. A equipe, em contrapartida, resolveu contratar Nelson Piquet, descontente com o tratamento que tinha na Williams. As notícias dos bastidores animaram a competição na pista. Mansell voltou a ser o mais rápido no treino de classificação e Piquet foi o terceiro mais veloz.  Já na largada, o brasileiro tomou a segunda colocação que pertencia a Gerhard Berger. O austríaco não se fez de rogado e retomou a posição depois de uma ultrapassagem em cima de Piquet na primeira curva. Logo depois, Piquet foi ultrapassado por Michelle Alboreto e caiu para o quarto lugar. Com os abandonos de Berger, na 13ª volta, de Alboreto, na 44ª, e de Mansell, na 71ª, Piquet cruzou a linha de chegada em primeiro. Dessa forma, o até então bicampeão do mundo ampliava sua vantagem em relação a Senna. Tinha agora 48 pontos, sete a mais que o adversário brasileiro e 18 à frente Prost e de Mansell.

GP da Áustria – 16 de agosto de 1987 – Circuito de Osterreichring– 52 voltas

Nelson Piquet não teve piedade do problema odontológico de Mansell e cravou a volta mais rápida na sessão que definiu a pole position. Acidentes envolvendo os pilotos Martin Brundle (que bateu forte contra o muro de proteção), Rene Arnoux e Adrian Campos (que colidiram) e Jonathan Palmer e Philippe Streiff (ambos da Tyrrel e que também se encontraram na pista) obrigaram a direção da prova a ordenar uma nova formação do grid. Piquet manteve sua posição, mas uma nova série de acidentes fez surgir a bandeira vermelha pela segunda vez. Na relargada, Senna teve problemas, mas os demais carros conseguiram evitar uma nova colisão e Piquet segurou a liderança. Na volta 21, no entanto, Mansell conseguiu ultrapassá-lo e os dois seguiram, assim, até receber a bandeira quadriculada, com Teo Fabi, da Benetton, em terceiro. A combinação de resultados ajudou Piquet a abrir ainda mais vantagem. Faltavam seis corridas e Piquet tinha 54 pontos, 11 a mais que o segundo colocado (Senna) e 15 a mais que o terceiro (Mansell).
 

GP da Itália – 06 de setembro de 1987 – Circuito de Monza– 50 voltas


Piquet experimentou o novo sistema de suspensão ativa da Williams. Mansell achou melhor continuar com o modelo tradicional. Resultado: o brasileiro foi o mais rápido nos treinos e liderou quase toda a prova. Nas únicas voltas em que não esteve à frente dos demais, perseguiu Senna para reconquistar a liderança. Na 43ª, quando tentava deixar um retardatário para trás, Ayrton cometeu um erro e Piquet aproveitou a oportunidade para voltar ao primeiro lugar. Os dois mantiveram as posições e fizeram mais uma dobradinha brasileira, com Mansell em terceiro. Cada vez mais perto do tri, Piquet tinha agora 14 pontos de vantagem em relação a Senna (63 a 49).

 

 

GP de Portugal – 20 de setembro de 1987 – Circuito de Estoril– 70 voltas


Em um raro momento, as Williams foram batidas quando lutavam para marcar mais uma pole. Enquanto Mansell era o segundo mais veloz e Piquet, o quarto, Berger e sua Ferrari largaram em primeiro lugar. Quando as luzes vermelhas se apagaram, o Leão ultrapassou o austríaco e Alboreto acabou colidindo com Piquet. Em um efeito cascata, outros carros acabaram batendo atrás e uma bandeira vermelha obrigou uma relargada. Quando a corrida recomeçou, Mansell ultrapassou Berger, mas logo depois o austríaco deu o troco. Senna e Piquet duelaram pela terceira posição e na 11ª volta, o líder do campeonato conseguiu o que queria. Com os pit stops, Prost passou à frente de Piquet. Berger, pressionado pelo francês, acabou errando e dando a vitória para Prost. Como Senna foi apenas o sétimo colocado. Piquet passava a contar com 18 pontos de folga e o tri estava cada vez mais perto de suas mãos.

GP da Espanha – 27 de setembro de 1987 – Circuito de Jerez de la Frontera– 72 voltas


Piquet voltou a registrar a pole position naquele ano, deixando Mansell logo atrás. Na corrida, o inglês levou a melhor e tomou a liderança logo na largada. Piquet passou boa parte da prova preso na quarta colocação por conta do desempenho de Senna. Depois das paradas nos boxes acabou desabando para a sexta posição ao tentar passar Prost. Os pneus da Lotus de Senna se deterioram e o tiraram do páreo. Prost e Stefan Johansson aproveitaram a oportunidade e ocuparam a segunda e a terceira colocações, respectivamente.Piquet acabou em quarto com os mesmos 18 pontos de vantagem, mas desta vez quem estava na vice-liderança era Mansell, que ultrapassara Senna na tabela em um ponto. Com os dois pilotos liderando o campeonato, a Williams conquistou ali o título do Mundial de Construtores.

GP do México – 18 de outubro de 1987 – Circuito da Cidade do México– 63 voltas


O clima interno na Williams era péssimo por conta das brigas entre Mansell e Piquet e, assim, a antepenúltima prova da temporada também foi disputada com níveis altos de adrenalina entre a dupla comandada por Frank Williams. Mansell voltou a bater Piquet na luta pela pole e o brasileiro foi deixado para trás também por Gerhard Berger. O inglês errou feio na largada e foi ultrapassado por quatro pilotos, inclusive Piquet. Ainda na primeira curva, o brasileiro se enroscou com Prost e o francês acabou abandonando a corrida. Piquet seguiu em frente. Mansell, por sua vez, começou a melhorar seu posicionamento. Sabia que não podia ficar longe de Piquet e ainda tinha que torcer para o desafeto, de preferência, não pontuar. O inglês retomou a liderança, mas foi necessária uma relargada após o acidente com a Arrows de Derek Warwick. Desta vez, Piquet assumiu o primeiro posto. Ciente de que não podia cometer erros, Piquet não se afobou ao ver Mansell retomar a liderança e cruzar à sua frente na linha de chegada. O placar estava a seu favor. Com 73 a 61 de Mansell, faltava pouco para entrar no clube dos tricampeões da Fórmula 1.


GP do Japão – 01 de novembro de 1987 – Circuito de Suzuka– 51 voltas


A categoria voltava a ser disputada na Terra do Sol Nascente depois de 10 anos ausente e o clima estava preparado para a festa do tri. O sol brilhava e Piquet tinha uma larga vantagem para Mansell. Nos treinos, o inglês acabou antecipando a comemoração brasileira. Sabendo que precisava arriscar tudo para tirar o título de Piquet, Mansell acelerou demais e bateu forte ainda nos treinos da sexta-feira. Com dores na coluna, passou a noite no hospital e foi proibido de disputar a corrida. No sábado, retornou à Europa. Era o fim da briga. Apesar de não ter sido da forma como a torcida queria ver, ou seja, com uma disputa na pista, a conquista do tricampeonato de Piquet foi bastante celebrada. O brasileiro largou em 5º já como campeão do mundo e abandonou a prova com problemas de motor na 46ª volta, quando estava em quarto lugar.

GP da Austrália – 15 de novembro de 1987 – Circuito de Adelaide– 82 voltas
Com os dois campeonatos já decididos e Mansell ainda fora de combate, a última prova do ano não teve muitas emoções. Berger foi o mais rápido nos treinos e liderou de ponta a ponta. Piquet largou em terceiro, mas se retirou da corrida na 58ª volta, com problemas nos freios. Aquela foi sua última corrida pela Williams. Terminou o ano com o título, um novo contrato para correr em 1988, após marcar 73 pontos, 12 a mais que Mansell, 18 à frente de Senna e 27 de Prost. Chegava ao fim, dessa forma, o ano do tri de Piquet.
   
F1 Girls Online (2004-2008) - Design por Wanner Cavagnolle