Carreira

 

Não foi necessário sequer uma década para que Jim Clark se firmasse como um dos principais pilotos da Fórmula 1. Bem menos que isso, aliás. Em nove temporadas, ele não só foi campeão duas vezes como se tornou um ícone do automobilismo internacional.
1960 - A estréia na categoria aconteceu no Grande Prêmio da Holanda, quarta etapa do campeonato. O abandono logo de cara foi o primeiro dos 28 que teve ao longo da carreira na categoria. No entanto, na prova seguinte, na Bélgica, marcou os primeiros pontos graças a sua quinta posição _ a mesma de uma corrida depois, na França.
Em Portugal, subiu ao pódio pela primeira das 32 vezes de sua era na Fórmula 1, ao cruzar a linha de chegada em terceiro lugar. Os oito pontos acumulados lhe renderam a 10ª colocação no Mundial de Pilotos devido aos critérios de desempate.
1961 - Apesar de ter ampliado seu número de pódios e de ter conquistado duas colocações à frente do ano anterior na classificação geral, a carreira de Clark ficou marcada por um trágico acidente em Monza. O choque acidental com a Ferrari do alemão Wolfgang von Tripps , que lutava pelo título, acabou matando o ferrarista e mais 14 espectadores que estavam acompanhando o GP da Itália in loco.
1962 - Este foi o ano do “quase”. Já em Mônaco, segunda prova da temporada, Clark cravou a primeira de suas 33 pole positions mas acabou abandonando com problemas de embreagem. Na Bélgica, chegou à frente de todos – dando início a uma série de 25 vitórias ao longo da carreira. Foi também o detentor da volta mais rápida e do primeiro lugar no grid, sendo seu primeiro hat trick. Mais dois triunfos e uma quarta colocação lhe gabaritaram a lutar pelo título da temporada pela primeira vez.
Graham Hill, da BRM, era o “alvo a ser atingido”. A disputa foi até a última prova, quando Clark abandonou por conta de um vazamento de óleo enquanto liderava o Grande Prêmio da África do Sul. O frustrante segundo lugar em 1962 parece ter-lhe dado força suficiente para a brilhante temporada de 63.
1963 - Das dez provas disputadas no ano de seu primeiro título de campeão da Fórmula 1, venceu sete. Nas demais, sofreu apenas um abandono, chegou em segundo lugar na Alemanha e em terceiro nos Estados Unidos. Como se não bastasse, ainda foi o pole position em sete Grandes Prêmios, teve seis voltas mais rápidas e registrou mais dois hat tricks para suas estatísticas.
O fato é que, se pela regra do campeonato daquela época todos os pontos tivessem sido contabilizados, o escocês teria mais do dobro da pontuação daquela feita pelo segundo colocado, Graham Hill. O primeiro título de Clark ajudou a Lotus a conquistar também seu primeiro Mundial de Construtores.
1964 - Pelo terceiro ano consecutivo, o escocês disputou o troféu de campeão. Desta vez não apenas contra Hill. Além deles, John Surtees buscava o prêmio. O trio monopolizou o lugar mais alto do pódio e foi responsável por sete das dez vitórias possíveis, sendo Clark o que mais venceu entre eles - os outros dois chegaram à frente duas vezes cada.
Também conquistou cinco poles e quatro voltas mais rápidas, porém o título lhe escapou das mãos, de novo, no final da última etapa. E, por incrível que possa parecer, novamente por conta de um vazamento de óleo. O problema o tirou da disputa, fazendo com que ele terminasse em quinto lugar na prova e em terceiro na classificação geral. Surtees foi o campeão de 64 devido às regras de descartes de pontos daquele ano.
1965 - Clark viveu um ano de vitórias quando chegou em primeiro lugar em quase todas as competições que disputou, inclusive as 500 Milhas de Indianápolis – sonho que perseguia havia três anos. Na Fórmula 1, a história não foi diferente: Venceu seis das dez etapas, não disputou o Grande Prêmio de Mônaco e nas demais não chegou na zona de pontuação. Pole seis vezes e com seis voltas mais rápidas, o escocês deu as cartas na temporada. Consagrou-se bicampeão do mundo quando ainda restavam três provas para o final do campeonato.
1966 - Na temporada seguinte, Jim Clark não foi páreo para lutar pelo tri. Em 1966, na verdade, a Lotus apresentou-se menos competitiva e o escocês só conseguiu pontuar no GP da Inglaterra, quarta etapa do ano, quando chegou a uma posição de subir no pódio. Na Holanda, finalizou em terceiro lugar e passou as duas etapas subseqüentes em brancas nuvens. No penúltimo Grande Prêmio do ano, ele conquistou sua única vitória do campeonato. Os 16 pontos obtidos não lhe permitiriam ir além da sexta colocação no Mundial.
1967 - O derradeiro ano de Clark na Fórmula 1 foi bem melhor do que o anterior. Apesar dos problemas nas duas provas iniciais (na África do Sul abandonou por causa do motor e, em Mônaco, devido à suspensão danificada), tudo mudou radicalmente a partir da parceria firmada entre a Lotus e a Ford-Cosworth.
Já na terceira etapa (Holanda) e a primeira com os novos motores, Clark voltou a vencer. O triunfo se repetiu em mais três Grandes Prêmios daquele ano: Inglaterra, Estados Unidos e México. Apesar de ser o piloto com o maior número de vitórias, poles (6) e voltas mais rápidas (5), o escocês tinha menos pódios (5) em relação aos seus concorrentes e acabou perdendo o título para Denny Hulme, da Brabham. Clark ficou em terceiro na classificação geral, com 41 pontos – dez a menos que o campeão.
Na Itália, viveu um de seus grandes momentos na Fórmula 1. Liderava quando precisou entrar nos boxes e retornou para a pista uma volta atrás do líder, na 16ª colocação. Ultrapassando todos os limites, começou a recuperar posições até igualar o tempo da pole e tirar a desvantagem da volta atrasada. Cruzou a linha de chegada em terceiro, em um dia memorável para a categoria.
1968 – Animado e impulsionado pelo bom rendimento de sua Lotus, Clark começou a temporada de 1968 simplesmente arrasador. No GP da África do Sul, em Kyalami, o escocês fez o último hat trick da carreira. Foi o pole position pela 33ª vez, cravou a 28ª volta mais rápida e conquistou a 25ª das suas vitórias. Aquela foi a última vez que a Fórmula 1 viu seu ídolo encantar a categoria. A morte de Jim Clark em 07 de abril de 1968 aconteceu no período entre a primeira e a segunda corrida da temporada e deixou o mundo do automobilismo desnorteado e chocado sem um de seus maiores ídolos.

 

 

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