Aos 20 anos, ele formou-se em Engenharia. Logo depois entrou na University Air Squadron, aprendeu a voar e entrou para a Royal Air Force (Força Aérea Britânica). A combinação perfeita dos conhecimentos obtidos nessas instituições levou Anthony Colin Bruce Chapman a uma carreira vitoriosa na indústria automotiva e no mundo dos esportes a motor, em especial na Fórmula 1.
Nascido em Londres no dia 19 de maio de 1928, Colin Chapman notabilizou-se como designer/projetista, inventor e construtor de carros de corrida. Seu pai era gerente do Railway Hotel, onde o inglês cresceu. Em 1952, fundou a Lotus Engineering Co. Ltd. com o apoio de Hazel Williams, sua namorada e futura esposa, que arrumou 25 libras para que Chapman abrisse a empresa. O nome da compania, dizem, foi uma espécie de declaração de amor a Hazel – a quem Colin chamava de Lotus blossom (flor de Lótus).
Em 1954, um novo braço da Lotus Engineering foi criado: a Team Lotus, para as competições esportivas. Naquela época, Chapman passou a disputar corridas locais com seus próprios carros. Com a Lotus 6, a empresa passou a vender kits deste modelo em larga escala. Só em 1956, quase 100 foram comercializados.
No ano seguinte, a Lotus 7 catapultou não só as vendas mas também consolidou no mercado a qualidade dos “produtos” fabricados por Chapman. Prova disso é que, em 1956, foi criado a Lotus 11 para a Fórmula 2 e quase todos os participantes do campeonato usaram o modelo projetado por Chapman ao tomarem conhecimento das novas regras para a temporada da F2 para o ano seguinte.
Ao volante de sua criação, o inglês chegou, inclusive, a vencer a etapa disputada em Brands Hatch. O caminho para a Fórmula 1 estava, então, traçado. A estréia na categoria aconteceu no dia 18 de maio de 1958 no GP de Mônaco. Coincidência ou não, um dia antes de Chapman completar 30 anos de idade. Para compor a primeira dupla de pilotos da equipe, Chapman contratou os estreantes: Graham Hill e Cliff Allison.
Pilotando uma Lotus 12, Cliff largou da 13ª colocação e Hill, da 15ª. O futuro bicampeão (62 e 68) e pai do futuro campeão Damon Hill (96) abandonou na 69ª das 100 voltas com problemas no motor Clímax da Lotus e Allisson terminou a corrida em sexto, uma posição abaixo da zona de pontuação da época.
Os primeiros triunfos – Em sua terceira corrida, a Lotus pontuou pela primeira vez na Fórmula 1. O quarto lugar obtido por Cliff Alisson rendeu os únicos três pontos de sua temporada de estréia na categoria. Em todas as outras etapas seus pilotos ou abandonaram a prova com problemas de motor ou super aquecimento, ou então não terminavam entre os cinco primeiros – a Lotus não disputou a corrida de Indianápolis, assim como as demais equipes. Terminou na sexta e última colocação no primeiro Mundial de Construtores não só de sua carreira, mas também da história da Fórmula 1.
A segunda temporada, em 1959, foi um pouco melhor em termos de pontos. Cliff Allisson saiu da equipe e foi correr pela Ferrari, mas Chapman manteve Graham Hill e contratou o inglês Bruce Halford – substituído por Innes Ireland a partir da terceira prova. Já na sua estréia, Innes chegou em quarto lugar e deu os primeiros pontos da temporada à Lotus. Ireland voltou a pontuar na última etapa, disputada no circuito de Sebring, nos Estados Unidos. Foi o quinto e, desta forma, a escuderia fechou o ano com mais dois pontos. Fato curioso é que no GP da Inglaterra, a equipe rodou com três carros. Além de Hill e Ireland, também esteve presente o piloto David Piper.
A década de 60 começou e com ela a reviravolta. Determinado a tornar seus carros vencedores, Chapman implantou algumas mudanças que surtiram efeito nas pistas. Na primeira prova da temporada de 1960, a Lotus contava com três carros, sendo um deles comandado pelo piloto argentino Alberto Rodriguez. A atitude pode ter sido uma média com o público local (a prova foi disputada em Buenos Aires), mas depois dali não havia dúvidas de que Colin tinha planos maiores para sua escuderia.
O número de bólidos da Lotus aumentou para quatro e Chapman investiu na contratação de pilotos. Já na segunda prova do ano ele alinhou quatro carros: o de Alan Stacey, o de Innes Ireland, o de Stirling Moss (vice-campeão de 1955 a 1958) e promoveu a estréia de John Surtees (futuro campeão em 1964).
Foi ainda nesta temporada que teve início uma das grandes parcerias da equipe e da história da Fórmula 1. No dia 06 de junho, no GP da Holanda, Jim Clark pilotou a Lotus pela primeira vez na categoria. O inglês seria um dos únicos cinco campeões do mundo pela escuderia e único bicampeão (63 e 65).
A primeira vitória aconteceu logo na segunda prova daquele ano. Stirling Moss chegou na frente no GP de Mônaco e repetiu a dose nos Estados Unidos. A equipe ainda conquistou quatro pole positions, sendo três com Moss e uma com Surtees. O bom desempenho de seus pilotos fez com que a Lotus subisse da última para a segunda colocação no Mundial de Construtores daquele ano – 14 pontos atrás da Cooper, que também usava motores Climax.
Apesar de ter vivido a primeira de uma série de boas temporadas, a Lotus também passou por grandes tragédias. No GP da Bélgica, dois de seus quatro pilotos sofreram graves acidentes. Durante os treinos da sexta, Mike Taylor bateu contra as árvores, sofreu múltiplas fraturas e decidiu encerrar a carreira. Durante a prova, o pior: na 22ª volta, Alan Stacey, que havia feito sua estréia no GP da Inglaterra de 1958 (a quinta da carreira da Lotus), faleceu após bater forte depois de ser atingido por um pássaro na cabeça, ocasionando o acidente fatal.
Em 1961, um dos mais impressionantes acidentes da Fórmula 1 envolveu a Lotus. Em Monza, Clark acabou se chocando contra o alemão Wolfgang Von Trips, que faleceu ao ser arremessado para fora do carro. Na tragédia, 14 espectadores também morreram. Um final trágico para um ano em que a escuderia voltou a disputar o título do Mundial de Construtores e vencer três das oito provas disputadas.
A temporada seguinte deixou um gostinho de “quase” na Lotus. Com Jim Clark surpreendendo a todos ao obter seis pole positions e três vitórias – uma a menos que Graham Hill (piloto que começou a carreira na corrida de estréia da própria Lotus), a escuderia foi vice-campeã novamente, com apenas seis pontos de desvantagem para a BRM; e Clark viu o título escapar apenas na última prova, quando seu carro passou pelo óleo espalhado na pista e ele foi obrigado a abandonar a corrida. A partir de 1963, no entanto, a equipe passaria a viver seus anos de glória.