Depoimentos

 

Andrea

O responsável direto pela minha paixão pela Fórmula 1. Era pra torcer pra ele que aos 11 anos acordava cedo aos domingos, para vibrar mais com suas vitórias do que com gols do time do coração ou da seleção brasileira. Meus pais e amigos nunca entenderam, e acho, nunca entenderão o que era essa relação de fã do Senna. Mas não é algo que se explique.

Eloisa

Vocês sabem aquela pessoa que define a sua infância? Para muitos é um amigo, um colega, talvez um professor ou um parente, para mim foi o Ayrton. Lembro dele correndo na Lotus preta, do dia em que minha mãe chegou em casa com o autógrafo dele (era dezembro de 1988, uma semana antes de seu primeiro título, ela o havia visto na fila da lanchonete na Feira da Bondade no Anhembi, 20 anos depois o autógrafo ainda está lá em casa), lembro do dia que ele ganhou em Interlagos pela primeira vez e de quando a professora de piano me ensinou a tocar o tema da vitória, das corridas na chuva e dos domingos na frente da televisão assistindo os GPs,  ou das inúmeras reportagens que eu recortei e guardei naquele mês de maio de 1994, lembro de ir até o quintal do meu prédio e me perguntar onde Dona Neide e Seu Milton estariam (eles moram no prédio de trás) na verdade lembro do carro batendo no muro e depois de não querer lembrar de mais nada.

 

Gilvânia

Curioso que toda vez que eu preciso falar sobre o Senna, eu tenho dificuldades. Não pela falta de assunto, claro, mas por sempre ter a certeza de que nunca consigo expressar o que sinto com exatidão. Coisas d euma fã exigente? Não, é a saudade que - de tão grande - mistura lágrimas de alegria e de nostalgia. Costumo dizer que sou uma daquelas pessoas privilegiadas por terem visto o Ayrton do início ao fim de sua carreira na Fórmula 1.  Lembro até de quando, durante uma transmissão, anunciaram que ele estrearia no ano seguinte.
Senna está associado a muitas das minhas lembranças dos anos 80 e início dos 90  de uma forma tal que posso cair no lugar comum, porém afirmo tranqüilamente: parece que foi ontem que me encantei com ele. Que me apaixonei por sua Lotus preta.Que fiquei do seu lado no bate-boca e nos pegas com o Piquet. Que passei a amar torcer contra o Prost. Que arrumei uma bandeira do Brasil e um apito para comemorar suas vitórias. Que meu pai, cansado de ouvir as reclamações de minha mãe, arrumou uma poltrona velha para eu poder assistir aos GPs e pular à vontade na sala. Que abria uma brecha nas conversas das segundas-feiras com os amigos da escola para comentar mais um de seus shows. Que até ao programa da Xuxa eu assisti para vê-lo.
Também parece que foi ontem que vibrei como uma louca quando foi confirmada sua ida para a Williams. Desde 1992, aquilo era tudo o que todos nós queríamos. Depois... veio a tragédia, a incredulidade e a dor. Juro que tentei largar a Fórmula 1 após aquele maldito mil vezes maldito acidente. Ela não seria mais a mesma sem ele, mas Ayrton já havia consolidado de vez o amor pela categoria - que começou antes dele, porém tornou-se eterno por causa dele e como ele.

Viviane

Muitos pilotos vencem corridas. Alguns ganham títulos. Poucos se tornam lendas. Ayrton Senna conseguiu fazer as três coisas. Quando Galvão Bueno disse "Senna bateu forte", não pensei que o acidente fosse tão grave. Eu já tinha visto Ayrton sair de situações piores. Não sabia que estava testemunhando o momento em que o homem virou mito. Muita gente me pergunta o porquê da minha fascinação por corridas. Sinceramente, não sei explicar. Como Ayrton dizia, deve estar no sangue. O ronco dos motores, o cheiro da borracha dos pneus queimando no asfalto, tudo isso com certeza faz parte da equação. Mas o Ayrton foi, e é, a pedra fundamental que sustenta o meu amor pela Fórmula 1. Eu tinha 12 anos quando ele começou a correr, 16 quando ele venceu o primeiro campeonato, e aos 22 vivi o dia mais triste da minha vida, aquele primeiro de maio que todo mundo quer esquecer e não consegue.

Meus pais achavam engraçado que eu tivesse um pôster da Lotus amarela na parede do quarto, ao contrário das minhas amigas, que preferiam a boy-band da vez. Já na época da McLaren, meus amigos da faculdade sabiam que se o Prost vencia uma corrida no domingo, eu chegava de mau humor na segunda. O pessoal do trabalho ria quando eu tinha plantão no domingo e deixava um radinho sempre por perto, tentando ao menos saber a classificação.

O capacete dele ainda enfeita minha mesa de trabalho, e ele é a primeira imagem que me vem à mente a cada vez que entro em Interlagos.

Ayrton Senna foi um piloto excepcional e uma figura humana admirável. Não penso nele como um mito. Era humano, tinha defeitos, cometia erros. Penso nele como o ídolo do esporte que me fazia sentir um orgulho absurdo de ser brasileira. Como o campeão que caía no choro ao vencer em casa e transformava Interlagos em um lugar mágico. Saudades, Ayrton. Hoje e sempre.

Miss Pitlane

Quando ele partiu, num primeiro momento o vazio era tão grande, tão grande, que enchia o meu coração e doía. Mas... nunca nos vimos, nunca nos falamos?! É, mas ele entrava na minha casa vários domingos, por vários anos. Era meu herói e (por que não?) meu amigo. Depois, a tristeza foi diminuindo com o passar das temporadas e dando lugar àquele carinho de sempre e a uma saudade gostosa, cheia de boas recordações, como é até hoje.

De vez em quando, bate aquele arrependimento típico da perda: "Por que não 'passei' mais tempo com ele?", "Por que não prestei mais atenção às corridas?", "Por que isso?", "Por que aquilo?" No dia em que Michael Schumacher anunciou a aposentadoria e houve aquela festa linda em Monza, eu também fiquei contente pelo alemão (não por ele sair, mas pelo carinho da torcida e equipe), porém pensava mais em como teria sido o dia da despedida do Ayrton. Ah, eu não aceitaria, ficaria brava com ele. Como assim, queria nos abandonar, parar de correr? E reclamaria muito dele ter só 115 poles, somente 100 vitórias, apenas 9 títulos... Bobagem... A verdade é que para mim ele tem muito mais do que reflete qualquer estatística. Ele é o maior campeão. Inesquecível.

 

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