Scuderia Ferrari Marlboro

Foi no dia 2 de março de 1947 que o mundo viu a primeira Ferrari. Nesta data, seu fundador, o comendador Enzo Ferrari, guiou um modelo 125S para além dos portões da fábrica em Maranello, sua sede até hoje. A história da mais tradicional e antiga escuderia em funcionamento na Fórmula 1 teve início no GP de Mônaco, em 21 de maio de 1950 _ a segunda prova do primeiro campeonato de F1. Alberto Ascari tornou-se, então, o primeiro piloto a marcar pontos para a equipe ao terminar em segundo lugar nas ruas do Principado. De lá para cá, muita coisa aconteceu.

Além de Ascari, completava a dupla inicial de pilotos da escuderia Gigi Villoresi. A primeira vitória em uma prova veio, entretanto, pelas mãos de José Foilán Gonzáles, em Silverstone (1951). Durante a década de 50, a equipe fez três campeões do mundo: Ascari (1952 e 1953), Juan Manuel Fangio (1956) e Mike Hawthorn (1958). O mundial de construtores surgiu apenas em 1958 e a Ferrari foi vice-campeã no primeiro e no segundo ano do campeonato.

Nos anos 60, a Ferrari conquistou dois títulos de construtores, em 1961 e 1964, temporadas nas quais seus pilotos Phil Hill e John Surtees foram, respectivamente, os campeões. Por conta de problemas com as autoridades esportivas italianas, a Ferrari adicionou ao seu tradicional vermelho as cores azul e branco nas duas últimas provas de 64, quando competiu na América do Norte _ um protesto do comendador em resposta aos cartolas. Nos outros anos, a escuderia foi 2ª (66), 3ª (60), 4ª (63, 65 e 68), 5ª (67 e 69) e 6ª em 1962, quando teve seu pior desempenho desde a criação do mundial.

Na década de 70, a Ferrari só não esteve entre as duas primeiras equipes do campeonato em três temporadas: 71 (foi 3ª), 72 (4ª) e 73 (6ª). Em todas as demais oportunidades ou foi vice-campeã (70, 74 e 78) ou abocanhou o título_ incluindo o tricampeonato 75,76 e 77 e o troféu em 1979. Foram campeões pela equipe neste período os pilotos Jody Scheckter, em 1979, e Niki Lauda, em 1975 e 1977. Lauda lutava também pelo título em 76, mas sofreu um grave acidente na Alemanha, onde seu carro pegou fogo.

Jejum - Os seguidos títulos na segunda metade da década de 70 não se repetiram nos anos 80. Muito pelo contrário. Apesar de ainda ter obtido o 1º lugar nos campeonatos de 82 e 83 e de ter sido vice-campeão em 84, 85 e 88, a escuderia se ressentia por não ter tido nenhum piloto campeão do mundo. Além disso, a equipe ainda chorou a morte de dois grandes personagens de sua história, uma no início da década e a outra, no final.

Em 1982, durante os treinos de classificação para o GP da Bélgica, em Zolder, Gilles Villeneuve morreu após ter o corpo arremessado e colidido contra o muro do circuito. Em 14 de agosto de 1988, aos 90 anos, o comendador Enzo Ferrari faleceu. Uma semana depois, a escuderia venceu o Grande Prêmio da Itália com uma dobradinha Berger-Alboreto, no único “mau” resultado da Mclaren naquele ano.

O jejum de campeões do mundo guiando pela Ferrari continuou durante toda a década de 90. Entretanto, a escuderia tentou resolver o problema já nas primeiras temporadas. Em 1990, contratou o tricampeão Alain Prost. O francês venceu cinco corridas e levou a disputa do título para a penúltima prova, no Japão. Lá, depois do choque com Ayrton Senna, Prost abandonou a corrida com problemas no carro e perdeu o título. A Ferrari ficou em 2º lugar.

O que se viu depois foi algo até certo ponto inimaginável na Fórmula 1. A Ferrari não venceu um GP sequer em 1991, 1992 e 1993. Em 1994 e 1995, Gerhard Berger e Jean Alesi venceu uma prova cada. Com o fundo do poço muito próximo, mas com bastante dinheiro para investir, a Ferrari deu início a uma nova fase de sua história ao contratar, em 1996, o até então bicampeão do mundo Michael Schumacher.

Era Schumacher – Schumacher ganhava 30 milhões de dólares por ano na equipe e ainda contava com boa parte do time de especialistas de sua época na Benetton, como Ross Brawn, diretor técnico, e Rory Byrne, projetista. Unidos a eles estava Jean Todt, diretor da escuderia. Juntos, revolucionaram a Ferrari e resgataram os anos de glória e, com eles, mais tifosi (os fanáticos fãs italianos).

Nos três primeiros anos da parceria, a Ferrari foi vice-campeão dos construtores. Em 1999, depois de 16 anos, a equipe voltou a conquistar o título. Por pouco a escuderia não levava também o mundial de pilotos. Todavia, um acidente em Silverstone deixou o alemão de fora de sete corridas e da briga pelo título daquele ano. O resultado foi uma situação até inusitada: a Ferrari trabalhando para que outro piloto (Eddie Irvine) conquistasse o troféu e não para aquele que ela havia contratado para realizar o feito. Mika Hakkinen, da McLaren, evitou durante dois anos que os pilotos da Ferrari vencessem.

De 2000 a 2004, ninguém mais conseguiu bater o alemão e a equipe italiana. No ano 2000, Schumacher venceu nove das 17 corridas e tornou-se o primeiro piloto a conquistar o título pela Ferrari, 21 anos depois da Scheckter. Em 2001, o alemão repetiu o número de vitórias e consagrou-se como tetracampeão da categoria. Porém, a temporada de resultados impecáveis da Ferrari também viu a primeira ação do jogo de equipe envolvendo Schumacher, os dirigentes da escuderia e o segundo piloto da equipe, Rubens Barrichello. Ele, o segundo brasileiro a pilotar um dos carros da escuderia (o outro foi Chico Landi em uma prova de 1950), recebeu ordens para ceder sua posição (2º lugar) para Schumacher no GP da Áustria e obedeceu.

Em 2002, a Ferrari voltou a passear na pista. Quinze das 17 provas foram vencidas por seus pilotos, sendo 15 ganhas por Schumacher e quatro por Barrichello. Apesar disso, ainda no início da temporada, a escuderia voltou a protagonizar mais um episódio lamentável devido ao jogo de equipe. Novamente na Áustria, Barrichello _ desta vez liderando a prova _ foi obrigado a dar passagem para Schumacher.

O brasileiro só acatou a ordem dos dirigentes na última curva, já prestes a receber a bandeirada. Schumacher passou. Em seguida, as vaias começaram. A condenação do público e da mídia deixou o alemão constrangido. No pódio, Schumacher puxou o brasileiro para o degrau mais alto, como que reconhecendo o erro em ter ultrapassado o companheiro. A FIA o multou em 1 milhão de dólares por ter interferido nos procedimentos do pódio e o episódio entrou para a história como um dos mais deprimentes da Ferrari. Ao final do ano, contudo, Schumacher igualou o número de títulos de Fangio (5) e a equipe venceu mais um campeonato.

Em 2003, o alemão e a Ferrari voltaram a conquistar o troféu. Desta vez, com mais dificuldades. Schumacher obteve o título com apenas dois pontos de vantagem em relação a Kimi Raikkonen, tornando-se hexacampeão. A equipe só passou a liderar o mundial de construtores depois do GP do Canadá. No ano seguinte, o domínio foi tranqüilo novamente. O alemão venceu 13 das 18 provas, sendo 12 nas primeiras 13 etapas do mundial. Com duas vitórias de Barrichello, a Ferrari fez campeão, vice e consagrou-se com mais um título. Schumacher conquistava, então, seu último troféu, somando sete ao todo.

Nos dois últimos campeonatos, o domínio da escuderia italiana não se repetiu. Em 2005, sequer chegou na vice-liderança entre os construtores _ Renault (1º) e McLaren (2º) ficaram na sua frente. Em 2006, seu desempenho foi melhor. Com a disputa entre Schumacher e o espanhol Fernando Alonso pelo título de pilotos ponto a ponto e o alemão em busca de um impensável octacampeonato, a Ferrari tentou, mas não conseguiu voltar ao 1º lugar do mundial, sendo vencida pela Renault outra vez. Em Monza, a equipe viu seu grande astro anunciar a aposentadoria. No Brasil, chegava ao fim uma das parcerias de maior sucesso na história da Fórmula 1, com Schumacher vendo o título ser entregue novamente a Alonso e a Ferrari amargando o consolo do 2º lugar no mundial de construtores.

Em 2007, a escuderia viveu seu primeiro ano sem o heptacampeão mundial e sem Ross Brawn. No Mundial de Construtores teve como principal oponente a McLaren. Nos bastidores também. A Ferrari acusou a escuderia inglesa de ter se apropriado de informações sigilosas repassadas por um funcionário de Maranello. O caso foi parar nos tribunais da FIA. Depois de duas audiências, a entidade máxima do automobilismo mundial excluiu os pontos da equipe dirigida por Ron Dennis em setembro. Com a vitória de Kimi Raikkonen no Grande Prêmio belga, poucos dias depois, a Ferrari acabou conquistando seu 15º título. No GP Brasil, última etapa do campeonato, fechou com chave de ouro o ano com o título do Mundial de Pilotos obtido pelo finlandês Kimi Raikkonen, tornando-se o nono piloto a consagrar-se campeão do mundo pilotando os carrinhos vermelhos.

Os números de uma paixão – Responsável pela paixão de todo um país e de fãs ao redor de todo o mundo, a Ferrari acumula uma série de recordes impressionantes. São 201 vitórias, 195 pole positions, 205 voltas mais rápidas e 603pódios conquistados. A equipe acumula um total de 3.851,5 pontos _uma média de 5,08 pontos por corrida. Nos 758 GPs disputados, a escuderia já liderou 12.490 voltas das 86.581 que correu, o que significa dizer 65.166 quilômetros na liderança.

Em apenas uma corrida, a escuderia não correu com motores Ferrari. Em um GP de 1950, a equipe utilizou um motor Jaguar. A equipe já apresentou 64 modelos e 104 pilotos guiaram os carros que têm como símbolo o cavalinho rampante. Dentre eles nomes que marcaram a história da Fórmula 1, como os já citados anteriormente, além de Clay Regazzoni, Nigel Mansell, Carlos Reutemann, Wolfgang von Trips e Giuseppe Farina.

 

 

 

 

Pilotos 2008: Kimi Raikkonen e Felipe Massa
Modelo 2008: F2008
Motor: Ferrari
GPs Disputados: 761
Vitórias: 203
Mundial de Construtores: 15
Mundial de Pilotos: 15

 

aaa

Crédito das imagens: Divulgação, LAT e Reuters.

 

F1 Girls Online (2004-2008) - Design por Wanner Cavagnolle