2008 - Hamilton torna-se o mais jovem campeão da F1


Quando a temporada 2008 começou, todos se perguntavam se ela seria tão emocionante quanto sua antecessora. Na receita para um ano cercado de expectativa, alguns ingredientes pareciam se destacar mais que outros. Alonso trocou a McLaren pela Renault, que viu Kovalainen seguir o caminho inverso do bicampeão espanhol. As promessas de 2007 – Kubica, Vettel e Hamilton – suscitavam indagações sobre o talento exposto no ano anterior, ou seja, se eles conseguiriam repetir os bons desempenhos. Além disso, a Fórmula 1 ainda viveria seu primeiro GP noturno.

Para os brasileiros, a comemoração por voltar a ver três pilotos nacionais nas pistas, mesmo vivendo e despertando sentimentos e perguntas diferentes em torno de cada um deles. Felipe Massa, na Ferrari, correria tendo o piloto campeão de 2007 no cockpit do carro ao lado. Barrichello, ainda na Honda, rumava ao recorde de participações em Grandes Prêmios - feito ocorrido no Canadá. Já o estreante Nelson Ângelo Piquet trazia de volta à Fórmula 1 o sobrenome do pai tricampeão, provocando ansiedade na torcida quanto ao seu desempenho ao lado de Alonso na Renault.

Desde o começo das 18 etapas disputadas, a briga pelos mundiais de Pilotos e de Construtores dava indícios de que ficaria polarizada entre Ferrari e McLaren novamente – esta última tentando refazer a imagem após as denúncias de espionagem de 2007. No meio deles, Alonso arrastava sua Renault para algumas miraculosas posições no grid e até no pódio na segunda metade do campeonato.

Hamilton largou na frente dos oponentes com a vitória na Austrália e se manteve líder na tabela durante as duas primeiras etapas. Ao contrário do inglês, quem não teve motivos para sorrir na abertura do campeonato e na Malásia era Felipe Massa, que sequer conseguira pontuar em tais etapas. No Bahrein, entretanto, o brasileiro conquistou a primeira de suas seis vitórias na temporada, e ainda viu seu companheiro de equipe assumir a ponta.

Raikkonen seguiu líder do campeonato até a sexta prova, em Mônaco. A vitória de Hamilton nas ruas do Principado fez com que o inglês se recuperasse e passasse na frente dos demais. Na prova seguinte (Canadá), o polonês Robert Kubica “intrometeu-se” entre os favoritos e tornou-se o líder do Mundial de Pilotos. O triunfo do piloto da BMW em Montreal dividiu os holofotes com um acidente inusitado ocorrido nos boxes, provocado por Hamilton e que tirou da prova (e do sério) o sempre comedido (e aparentemente frio) Kimi Raikkonen, albaroado por trás pela McLaren de Hamilton enquanto esperava o sinal verde aparecer para sair do pitlane. Melhor para Massa, que passou a dividir a vice-liderança com o pupilo de Ron Dennis.
Em ascensão na briga pelo título, Massa venceu o GP da França e assumiu pela primeira e única vez no ano a liderança isolada do Mundial de Pilotos, com 48 pontos – dois a mais que Kubica, cinco à frente de Raikkonen e com 10 de vantagem para Hamilton. O topo da tabela não durou muito tempo, uma vez que na etapa seguinte, em Silverstone, Massa acabou rodando várias vezes na pista molhada, terminando na 13ª posição, duas voltas atrás do vencedor, Lewis Hamilton. Além levar sua torcida ao delírio, o inglês voltou a liderar o campeonato, desta vez empatado com Massa e Raikkonen.

Dali em diante, Hamilton manteve-se em vantagem durante toda a segunda metade do campeonato, apesar dos erros cometidos por ele e das penalizações a que foi submetido. Na Bélgica, por exemplo, Hamilton venceu, mas teve sua posição cassada por uma decisão dos comissários de pista, que o julgaram desleal durante uma manobra de ultrapassagem em Raikkonen. A punição ao inglês rendeu à Massa a aproximação no campeonato, que ficou a apenas dois pontos de Hamilton.

Na Itália, a diferença caiu para um mísero ponto enquanto todos celebravam a vitória inédita de Sebastian Vettel com sua Toro Rosso. Em Cingapura, a impressão que se tinha é de que Massa pulverizaria a vantagem de Hamilton, mas a noite tornou-se ainda mais escura para o brasileiro. O primeiro GP noturno da história da Fórmula 1 ficou marcado pela vitória de Alonso – a primeira depois de seu regresso à Renault – e, principalmente para a torcida brasileira, pelo vexame catastrófico vivido pela Ferrari. Durante o pit stop de Massa, a equipe o liberou para sair sem que a bomba de combustível estivesse solta. O resultado foi a melancólica e ao mesmo tempo patética cena do carro do brasileiro arrastando a mangueira de gasolina pelo pitlane e os mecânicos correndo atrás sem saber direito o que fazer além de se desesperarem.

Na prática, Hamilton pôs uma das mãos no troféu ao ampliar ali sua vantagem para sete pontos faltando três corridas para o fim do campeonato. No Japão, as esperanças de Massa foram renovadas ao terminar a prova na zona de pontuação enquanto Hamilton acabou no 12º lugar. O brasileiro herdou a sétima colocação depois que Sebastien Bourdais foi punido pela organização da prova. Na tabela, Hamilton ainda tinha cinco pontos a mais que Massa. Na China, o inglês voltou a vencer e Massa foi o segundo colocado. A vantagem voltava para os sete pontos e a decisão do título seria novamente disputada na última etapa, no GP do Brasil.

Para tornar-se o mais jovem campeão da história da Fórmula 1, Hamilton precisava apenas de um quinto lugar e de manter seus nervos em ordem para não repetir o papelão do ano anterior. No grid de largada, alinhou seu carro em 4º enquanto Massa foi o pole position. A poucas voltas do fim da prova, começou a chover e a corrida ganhou a emoção necessária para a definição do título. Massa abriu a última volta curioso para saber o desenlace da briga envolvendo Vettel, Hamilton e Glock. Quando o alemão ultrapassou o inglês, o autódromo enlouqueceu! Hamilton havia perdido a quinta colocação e o título que parecia impossível foi de Massa pelos poucos instantes após ter cruzado a linha de chegada em primeiro lugar.

Porém, na penúltima curva, Glock foi ultrapassado por Hamilton. Estava definido ali quem levaria o troféu de campeão da temporada 2008 para casa. Muitos que estavam em Interlagos ainda comemoravam a vitória de Felipe Massa e a ultrapassagem de Vettel quando os telões mostraram a quinta colocação de Hamilton. A desolação foi total. Por apenas um ponto e poucos metros, o Brasil lamentou a perda de um título que não acontece desde 1991. Além do vice-campeonato de Massa, os pilotos brasileiros terminaram da seguinte forma o torneio: Nelsinho Piquet foi o 12º, com 19 pontos – sendo oito deles graças ao segundo lugar obtido na Alemanha; e Barrichello, o 14º, com 11 – seis deles graças à terceira colocação em Silverstone.

No Mundial de Construtores, a Ferrari obteve 172 pontos; a McLaren, 151 e a BMW, 135. Foi o 16º título da escuderia italiana na categoria.

 

Lewis Hamilton

Classificação Final

 

 

 

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