Loiro, 1,75m de altura, 70kg, olhos azuis, possui residências em sua cidade natal, na Inglaterra, mora na Suíça e atual campeão da Fórmula 1. Kimi Matias Räikkönen só não é partido perfeito porque é casado - a dona do seu coração é a modelo finlandesa Jenni Dahlma-Räikkönen. Conhecido como iceman (homem de gelo), Kimppa, Räikkä e Kimster (este último apelido usado pelos mecânicos), Kimi vem demonstrando que não apenas não se importa com o que pensam sobre ele como ainda prefere agir ao invés de ficar preso em polêmicas na mídia e nos bastidores da Fórmula 1. E foi assim que o finlandês bom-de-copo, nascido em 17 de outubro de 1979, em Espoo, conquistou o título de 2007 e vai carregar em sua Ferrari o número 1 em 2008.
Sua carreira começou no kart aos 8 anos de idade, mas foi a partir dos 19 que Raikkonen acelerou para valer nas pistas e, em pouco tempo, saltou das categorias de base para a elite do automobilismo internacional. Em 1998, mudou-se para a Inglaterra e foi aí que o mundo da velocidade passou a conviver com sua seriedade e, principalmente, com seu talento. Aos 20 anos, ganhou a série de inverno da Fórmula Renault inglesa. Aos 21, dominou o campeonato, vencendo sete das dez provas. Em setembro do ano 2000, testou o carro da extinta escuderia Sauber e assinou contrato para correr na temporada seguinte pela equipe suíça de Fórmula 1.
Tinha disputado, até então, apenas 23 corridas. A pouca experiência rendeu muitas críticas à concessão da superlicença ao finlandês, inclusive por parte do presidente da FIA, Max Mosley. Sua performance, no entanto, calou a voz daqueles que condenaram sua entrada na F1. Em seu grande prêmio de début, Kimi obteve o primeiro dos nove pontos que conquistou naquele ano e ajudou a Sauber a terminar em 4º lugar no mundial de construtores. Ron Dennis não perdeu tempo e o contratou para ser piloto titular da McLaren em 2002, em substituição ao seu conterrâneo e bicampeão, Mika Hakkinen. Vinte e quatro pontos e quatro pódios depois, ninguém tinha mais dúvidas quanto ao talento de Räikkönen, que terminou a temporada em 6º - apesar das muitas quebras do motor de seu carro.
No GP da Malásia de 2003, o finlandês conquistou sua primeira vitória. Naquele ano, Kimi disputou o título prova a prova com Schumacher. Bastante acirrada, a decisão seguiu por todas as corridas e acabou no hexacampeonato do alemão e no primeiro vice-campeonato de Räikkönen. O ano de 2004 foi marcado por inúmeras quebras do motor Mercedes. Das sete corridas iniciais, Kimi só completou duas e contava somente com um ponto. Acabou ganhando o apelido de azarado, mas a partir da França, com o novo modelo, Räikkönen pôde apresentar um desempenho melhor e terminou a temporada em 7º, com 45 pontos.
Quando o ano de 2005 começou, todos acreditavam que a má sorte de Räikkönen já havia tido seus momentos áureos. Por isso, causaram espanto os problemas nas três primeiras provas. Depois disto, ele conseguiu três poles consecutivas (San Marino, Barcelona e Monaco) e passou a disputar o campeonato com o espanhol Fernando Alonso. Novos problemas no carro atrapalharam os planos de Kimi e o máximo que conseguiu foi um novo vice-campeonato e o prêmio de melhor piloto do ano conferido pelas revistas F1 Racing e Autosport. Räikkönen também conseguiu igualar um recorde curioso e não muito agradável: ter sete vitórias em uma mesma temporada e não ser o campeão, como aconteceu com Alain Prost em 1984 e 1988.
Como em uma montanha russa, esteve em baixa na temporada seguinte. 2006 foi um ano para Kimi esquecer. Completamente fora da disputa pelo título, enfrentou uma nova série de quebras do carro e acidentes durante as provas. Terminou sua era na McLaren com um 5º lugar no mundial de pilotos. Depois, veio a mudança. Saiu da escuderia inglesa e fechou contrato com a Ferrari. 2007, porém, foi a bonança após a tempestade. Já na corrida de estréia na tradicional equipe italiana, o primeiro triunfo: foi o pole, fez a volta mais rápida da prova e subiu ao pódio no lugar mais alto. O desempenho inicial, no entanto, não foi repetido nos demais grandes prêmios da primeira metade do campeonato. Críticas surgiram na imprensa italiana e muitos questionavam a suposta apatia do finlandês. Voltou a vencer apenas na oitava corrida e, ainda assim, era o quarto melhor ranqueado na classificação geral – com 22 pontos de desvantagem em relação ao líder.
A vitória acabou se tornando o início da incrível arrancada de Kimi Raikkonen rumo ao título. Da nona à última etapa, o finlandês só não esteve presente no pódio uma vez. Nas demais, ele foi o vencedor de três e segundo ou terceiro nas restantes. Empolgado, na 14ª etapa do mundial, depois de chegar em primeiro, o sempre sério piloto da Ferrari surpreendeu a todos dando um cavalo de pau após receber a bandeira quadriculada. Com o finlandês quase perfeito na segunda metade do campeonato, ninguém se mostrou competente o suficiente para impedir a trajetória ascendente de Raikkonen. Dos 90 pontos possíveis, obteve 68.
E, dessa forma, enquanto via seus adversários da McLaren se engalfinharem e cometerem erros, consagrou-se o campeão da temporada com o triunfo em Interlagos. No entanto, o título do finlandês só foi confirmado oficialmente no dia 16 de novembro, uma vez que a McLaren apelou contra possíveis irregularidades nos carros da BMW – por conta das quais os pilotos poderiam ser eliminados da prova brasileira, dando a Lewis Hamilton o troféu de vencedor da temporada 2007.
O título sepultou a fama de azarado de Kimi, levou seus fãs à loucura e serviu de cala-boca aos seus críticos de início de carreira. |
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